Um Divisor de Águas
na Cultura Juazeirense.
Sala de
espetáculos com 307 assentos, galeria de exposições instalada no foyer, anfiteatro
com estrutura de palco na área externa com capacidade para 1500 pessoas e
quatro salas polivalentes para atividades diversas, dois camarins, central de
ar-condicionado, iluminação cênica e sonorização, banheiros e muitas histórias e artistas revelados. Assim é a
trajetória do Centro de Cultura João Gilberto (CCJG), nesses 25 anos. Porem diante
da crescente demanda de grupos artísticos a casa dos artistas da região do Vale
do São Francisco, não consegue atender a todas as linguagens relacionadas à
arte e acolha todos os artistas.
Mas há 25
anos sem a existência do centro na região, cada grupo procurava sobreviver como
podia, apresentando, na capelinha do Horto Florestal, nos auditórios das
igrejas, no teatro Brazinha, antes localizado na praça da Misericórdia, no
Circulo Operário, onde funcionava o Centro de Cultura e Debate, nas associações
comunitárias, nas Bibliotecas, nas praças da cidade e no Cine são Francisco. “A gente tinha um grande sonho de se
apresentar dentro de um teatro, até porque na época quem se apresentava no Cine
São Francisco eram os grandes nomes. Na época quem se destacava era o Ballet de
Geraldo Pontes e o grupo Juá.”, relembrou o ator e diretor Hertz Felix.
Um teatro
local era o sonho de muitos artistas, que desejavam um local apropriado para
suas apresentações, onde eles pudessem dispor de grandes cenários e de
equipamentos de luz que dessem suporte aos espetáculos, teatrais. Diante desse
desejo, muitos artistas cobravam do prefeito da época, Jorge Khoury, a construção
desse espaço. A prefeitura solicitou ao governo do estado da Bahia, que deliberou
a construção de centros culturais para as cidades de porte médio do interior do
estado. E para a alegria de muitos, Juazeiro estava na lista das setes cidades
que seriam contempladas com essa construção.
Os
artistas também contavam com o apoio da saudosa Jurema Penna Atriz e dramaturga
baiana, que, mesmo antes da construção do espaço cultural, trouxe cursos de
teatro para a região. “Jurema Penna foi a Dama do teatro baiano e uma das
principais responsáveis pela vinda do Centro de Cultura João Gilberto para
juazeiro.”, declara com saudades, o ator e diretor Devilles.
Com tudo
a construção do teatro poderia não ser realizada, pois duas ou três cidades
ficariam de fora do projeto e juazeiro seria uma delas. “Houve um dia em que Jurema
me ligou de salvador, ela disse: - Minha amiga, eu acabei de participar de uma
reunião e disseram que não vão mais construir o Centro de Cultura de Juazeiro e
eu to lhe avisando pra você entrar em contado com o prefeito.”, relembra Esmelinda
Pergentino Calanzans Nunes, ex-gestora do CCJG e artista da região. Na época
trabalhava na prefeitura na área da cultura e consegui convencer o prefeito,
que foi á Salvador reverter essa situação.
Durante a
construção do prédio do Centro de Cultura de Juazeiro na década de 80, era
comum, os artistas acompanharem os trabalhos dos operários. “A gente
acompanhou, vamos dizer assim, as colocações das pedras. A gente não entendia
muito bem de uma planta de teatro, mas ficávamos na expectativa de vê pelo
menos as paredes.”, conta o artista Hertz Felix.
Antes
mesmo da inauguração oficial do centro o diretor de teatro Orlando Pontes e
primeiro Gestor do Centro, já apresentava aos artistas os espaços ainda m construção.
“Eu me surpreendi junto com ele, quando ele nos foi apresentar o teatro, nós
entramos pelo palco, porque nem mesmo ele sabia onde era a entrada do teatro.”,
conta rindo Hertz Felix.
No dia 9 de novembro de 1986, era
inaugurado o Centro de Cultura João Gilberto, que recebeu esse nome por iniciativa
da comunidade artística como um gesto de reconhecimento e gratidão de Juazeiro
e da Bahia ao filho ilustre deste município ao artista e mentor da Bossa Nova,
João Gilberto. Para uma das mais antigas funcionárias
do Centro, Alda Brito Monteiro que trabalhou como Agente de Serviços Gerais e
atualmente é Assistente Administrativa do local, o dia da inauguração foi de
muitos imprevistos.
As obras terminaram um dia antes, sendo
que as cortinas e as poltronas do teatro interno só foram entregues, muito
tempo depois, mas ainda assimo público da
região compareceu em massa, e teve um dia repleto de apresentações, com
apresentações folclóricas ao dia e a noite com o encerramento da inauguração
com o espetáculo “O Alto da Compadecida”
texto de Ariano Suassuna e apresentado pelo grupo Juá, de Orlando Pontes, já
falecido.
A partir
de então estavam abertas as portas da “Casa”, para os artistas e a população do
vale e de outros locais. No início, as pessoas acostumadas com o comercio no
centro da cidade, achavam o teatro muito distante e os artistas imaginavam que
teriam dificuldades em levarem o público ao teatro. Demorou muito para a
população se acostumar a ir ao bairro, Santo Antônio, que é hoje tão central,
prestigiar os espetáculos.
Além de
Orlando Pontes muitos nomes passaram pela gestão do CCJG, como Antônio Carlos
Pereira (Tatal), Luiz Galvão (dos Novos baianos), Esmelinda Pergentino, Márcio Ângelo
e, atualmente, João Leopoldo. Esmelinda foi uma das gestoras que ficou por mais
tempo trabalhando no Centro de Cultura. No início ela fazia parte da
administração e depois de um período afastada por questões políticas, pois o
cargo é nomeação de Governo de Estado, voltou como a gestora do local e lá
ficou por 16 anos.
O CCJG
também teve seu momento de decadência, numa época onde era visto como local de
maconheiros, gays, vagabundos, e prostitutas, por parte da população que não
visitava mais o local. “Eu acho que não vou da conta! Por que é muito difícil
lidar com uma comunidade que não participa, que não quer mais...” pensava
Esmelinda sobre os desafios de gerir o Centro. Mas segundo ela, o trabalho não
foi tão difícil porque ela conseguiu ter um acesso com a comunidade, as pessoas
acreditaram em seu trabalho e o teatro voltou a ser visitado pela população.
Durante
todos esses anos, o espaço abriu as portas para vários acontecimentos e vários artistas,
não só da região, mas também nacionais. Na musica entre alguns os artistas de
âmbito nacional que passaram pelos palcos do CCJG estão: Xangai, Belchior, João
Bosco, Quilherme Arantes, Margareth Menezes, Ivete Sangalo, entre outros. No
teatro, varias companhias já se apresentaram no centro cultural de Juazeiro com
espetáculos infantis, Literários, Dramas, tragédia e Comédia. Esse ano pela
primeira vez o CCJG também recebeu o Aldeia do Velho Chico, projeto
pernambucano que trouxe para Juazeiro varias apresentações, e recebeu também o
Ballet do teatro Castro Alves.
“Desde
a sua fundação, O CCJG cumpre a sua missão primordial que é acolher e apoiar as
mais diversas manifestações artisitico-cultural, sendo um equipamento
estratégico para o desenvolvimento e suporte das produções culturais”, diz João
Leopoldo, atual gestor do Centro de Cultura. Para comemorar os 25 anos da casa,
foi criado o projeto “Jubileu de Prata”, que aconteceu durante o mês de
novembro com as mais diversas manifestações artísticas e grandes shows com
artistas regionais, como: Targino Gondim, Alan Cleber, Nilton Freitas, Maviael
Melo e muitos outros. Com essa comemoração de 25 o CCJG ganhou da Secretaria de
Cultura novos equipamentos técnicos, um linóleo 1,60 x 4,80 mts e uma cortina
que era tão esperada pelos artistas.
Segundo
Leopoldo muitos projetos estão sendo pensados para 2012. O numero de grupos
artísticos que procuram o espaço é cada vez maior, os artistas estão estudando
mais, fazendo cursos, apresentando espetáculos com mais qualidade, conquistando
o publico de juazeiro, que esta viajando mais para assistir espetáculos fora e
estão voltando mais exigentes. Assim os artistas procuram cada vez mais espaços
alternativos para as suas apresentações, como o teatro do Colégio Modelo Luiz Eduardo Magalhães.
A cultura de Juazeiro esta cada vez mais
efervescente e hoje também recebe manifestações artísticas e artistas da cidade
vizinha, Petrolina-Pe, que durante o ano de 2011, estava com um dos seus
teatros mais freqüentados, o teatro do SESC, em reforma. “Agente achava o
centro de cultura a coisa mais linda da época, mas hoje se trata de um projeto
muito pequeno, que não tem mais abrangência para uma cidade do porte de
Juazeiro.” disse Devilles.
O
centro de Cultura João Gilberto, foi e ainda é casa de muitos artistas, muitos
lá iniciaram suas carreiras, alguns ainda continuam divulgando sua arte no
espaço. Muitos que começaram como atores, agora são diretores, produtores.
Novos talentos surgem a cada dia, novas companhias, como: Companhia Itinerante de
Teatro,
Companhia de dança Entre Passos, Companhia de teatro João de Barro, Companhia
Trupe Errante, Companhia de teatro Inversos, e tantas outras, movimentando cada
vez mais a cultura local. “O centro de cultura é um marco na cultura Juazeirense,
um divisor de águas, a cultura de Juazeiro se mede antes e depois do centro.” Resume
Esmelinda Pergentino.

Ta linda minha reportagem! *-*
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